PROJETO FINANCIADO PELA CHESF

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*Doutor, Professor Titular do Departamento

de Morfologia da UFS. Consultor do PAX.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

José Arnaldo V. Palmeira*

RESTOS ALIMENTARES FAUNÍSTICOS

NA ÁREA DE XINGÓ

Documento 11                                     1997


UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

 

REITOR: Prof. Dr. José Fernandes de Lima

VICE-REITOR: Prof. Dr. Josué Modesto dos Passos Subrinho

 

 

 

 

PROJETO ARQUEOLÓGICO DE XINGÓ - PAX

 

COORDENADOR GERAL:

Prof. Dr. José Alexandre F. Diniz

COORDENADORES TÉCNICOS:

Arqueóloga Maria Cleonice de Souza Vergne

Arqueóloga Suely Luna

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Os CADERNOS DE ARQUEOLOGIA, publicação seriada do Projeto Arqueológico de Xingó, que têm por objetivo a divulgação de resultados de pesquisas produzidas na área, contam com duas séries: 1) Documentos, que publicam versões simplificadas de relatórios oficiais do Projeto, e 2) Textos, que publicam trabalhos de pesquisas independentes.  de autoria de membros e assessores do Projeto ou de outros pesquisadores.


 

1.     INTRODUÇÃO

 

 

A pesquisa que ora apresentamos é de fundamental importância e servirá de testemunho às futuras gerações de pesquisadores que, juntamente conosco, realizaram o estudo dos macrovestígios biológicos deixados pelo homem primitivo no vale do rio São Francisco, nos Estados de Sergipe e Alagoas.

 

O objetivo do nosso trabalho é estudar as formas adaptativas e a evolução dos remanescentes pré-históricos que habitaram a região do Baixo São Francisco Sergipano.

A área de estudo atingiu os Estados de Alagoas e Sergipe, localizados na Região do semi-árido, sendo esta rica em sítios arqueológicos e hoje submersa nas águas do lago da Usina Hidrelétrica de Xingó.

 

Os primeiros resultados globais de pesquisa interdisciplinar desenvolvida desde 1994 e 1995 até a presente data, nos revelam que o vale do São Francisco sofre variações sazonais e que estas podem ter sido a causa da preservação destas áreas, ocorrida ao longo do tempo, bem como a adaptação do homem primitivo aos seus terraços e grupos encontrados.

 

Os primeiros resultados não revelaram uma certa homogeneidade faunística com pequenas variações adaptativas. Por se tratar de uma região semi-árida este fator pode ter sido um agente dificultador das ações humanas, preservando e impedindo a sua destruição. O rio serviu ao homem de Xingó como fonte de alimento de recursos hídricos e naturais.

 

Na prospecção, foram catalogadas como áreas a serem sondadas 10 sítios arqueológicos (tabela 1) por apresentarem os mesmos vestígios. Estas áreas passaram a ser estudadas, cabendo-nos a incumbência de identificar os macro-vestígios biológicos deixados pelos nossos antepassados durante a sua permanência e deslocamentos na região do rio São Francisco, quando fez isso, e da flora e da fauna como elemento básico da sua alimentação.


 

Tabela 1

 

SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS ESCAVADOS E SONDADOS

 

NOME DO SÍTIO

FASE I

FASE II

Justino

X

X

São José

X

X

Porto Belo

X

X

Vitória Régia

X

X

Saco da Onça

X

 

Curituba

X

 

Tanque

X

 

Cabeça de Nego

X

 

Ouro Fino

X

 

Fazenda Velha

X

 

 

 

2.     METODOLOGIA

 

2.1   TRABALHO DE CAMPO

 

A primeira etapa constituiu-se da escavação por níveis artificiais, feita de 10 em 10cm, utilizando-se para tanto de pás, picaretas e trado. A área foi dividida a cada 50cm, coletando-se os vestígios faunísticos que foram encontrados, ora de maneira concentrada, ou seja, junto às fogueiras, outras vezes dispersas na periferia das mesmas e, em algumas vezes, no interior de vasilhames cerâmicos que eram detectados.

 

Antes da retirada do material, a equipe de campo anotava os pontos de referência, desenhava um croqui do ambiente visualizado e algumas vezes fotografava para posterior documentação e publicação. As camadas arqueológicas eram diferenciadas e caracterizadas por estudos sedimentológicos.

 

Todos os conteúdos recolhidos eram submetidos a ensacamento, ao mesmo tempo em que se apanhavam os sedimentos para estudos a posteriori. Cada peça recebia uma etiqueta na qual continha: número de identificação, o sítio onde foi encontrado, o setor e o nível em que foi localizado, o tipo de vestígio, a data e o código do pesquisador. Este material era levado no final do trabalho diário para o laboratório, onde era submetido aos procedimentos descritos a seguir.

 

2.2   TRABALHO EM LABORATÓRIO

 

Inicialmente o material era separado, fazendo-se a desagregação dos sedimentos argilosos, utilizando-se para tal, pincéis, palinetes, pinças e estiletes. Esta desagregação dos gomos argilosos era realizada ainda com as peças úmidas, ou seja, antes que fossem colocadas para secar ao ar livre. Os sedimentos aí recolhidos eram peneirados com malhas de 1,0mm, e todo o sedimento retirado das peças e dos vasilhames argilosos era ensacado para o estudo granulométrico. Após a separação, as peças eram colocadas em caixa tipo papelão, agrupando-as por sítio escavado.

 

 

2.3   TRABALHO DE IDENTIFICAÇÃO

 

Recebíamos todo o material do campo após a secagem do mesmo à sombra e então iniciava-se o reconhecimento das estruturas morfológicas capazes de serem identificadas. Queremos ressaltar que a identificação tomou como base a morfologia externa e os elementos anatômicos reconhecidos em ossos e articulações, como também a experiência vivenciada pelos pesquisadores que vêm realizando escavações em outras regiões do país. Quanto ao pesquisador responsável, o mesmo há 17 anos leciona na UFS a disciplina Anatomia Comparada; o uso de atlas e de sua coleção didática da fauna atual possibilitou estudos comparativos, uma vez que o mesmo preparou, juntamente com a bióloga Cristiana de Cerqueira Silva, uma coleção de referência de animais capturados durante as idas ao campo, quando da realização da pesquisa.

 

Na fase subseqüente, detectamos o material das fogueiras, bem como ossos  calcinados e carvões, sendo estes separados e enviados a laboratórios da Bahia, São Paulo, dos Estados Unidos e da França, para serem feitas as datações do carbono 14, o que nos possibilitaria estimar a data em que os nossos remanescentes habitaram aquela região. As datações rádio carbônicas do sítio São José foram feitas pela University Branch Maiami, Flórida, USA, através das análises pelo “Beta Analytic Inc”, que nos revelou os seguintes resultados:

3,75 metros = 3.500 ± 110 BP

3,95 metros = 4.140 ± 90 BP

Dando continuidade, registramos a presença de artefatos de concha e de ossos que foram usados como adorno e/ou utensílios pelos homem que habitou essas plagas. Alguns desses artefatos acompanhavam o sepultamento, sendo usados como colares.

 

Verificamos ainda a presença de cerâmicas, que nos levou à suposição de que o homem habitante desta região apresentava hábitos culinários e fazia também uso de alimentos animais, ora assado, ora cozido.

 

Ainda no laboratório, todo o material sofreu um processo de revisão, separação e acondicionamento em sacos plásticos, contendo no seu interior a etiqueta de identificação, tendo sido preparados por sítios.

 

Separamos cuidadosamente os restos biológicos em categorias, classes e tipos de vestígios identificados.

 

No processo de identificação, do ponto de vista zoológico, podemos afirmar que identificamos:

a)     fauna malacológica, provavelmente usada como fonte de alimentos e/ou adornos;

b)     restos de vertebrados, onde identificamos peixes, anfíbios, répteis, aves, mamíferos e material não identificado.

 

Queremos ressaltar que a fauna encontrada é condizente com as dos pálio-ambientes fluviais e de pequenas lagoas de inundação.

 

No tocante à identificação, ressaltamos que em muitos casos, apesar da grande quantidade de matéria coletada, não nos foi possível identificar com precisão o elemento em análise.

 

Este material foi pesado e conservado ensacado, a fim de detectarmos a quantidade de material orgânico encontrado.

 

Os vestígios que puderam ser identificados foram selecionados e serão descritos nos resultados encontrados.

 

Antes de darmos por encerradas as nossas análises, tendo em vista a falta de coleção de referência da fauna local, resolvemos construir uma coleção osteológica dos animais encontrados na região, que foram capturados durante a operação de salvamento do lago e/ou encontrados mortos.

3.     RESULTADOS

 

 

3.1   QUANTO AO TIPO DE MATERIAL ENCONTRADO

 

Da análise feita até o presente momento, podemos registrar que a natureza do material encontrado nos restos biológicos do homem de Xingó foram os descritos a seguir.

 

a)     Fauna arqueológica, onde identificamos animais invertebrados, dentre os quais moluscos.

 

Essa identificação se fez mediante fragmentos de valvas, lábios e voltas, pois alguns exemplares estavam completamente intactos.

 

Destacamos entre os moluscos de água doce os da:

1º Família Unionidae. Tratam-se de bivalves que habitam regiões de água doce e que são comestíveis, sendo fácil a abertura das suas valvas.

2º Super Família Strophocheilidae. Tratam-se de gastrópodes pulmonados terrestes, que habitam regiões sedimentares úmidas, condizente com os terraços e lagoas encontradas no vale do São Francisco sergipano, e que têm por hábito alojar-se entre troncos e folhas em decomposição nas margens do rio e lagoas.

 

Registramos ainda que os pequenos gastrópodes foram observados junto às fogueiras, associados a ossos calcinados e fragmentos de carvão. No entanto, os grandes gastrópodes não se apresentavam calcinados e mantinham seus exoesqueletos totalmente íntegros. Algumas dessas conchas são de uma beleza ímpar e são madrepérolas. Alertamos os futuros pesquisadores que algumas dessas conchas foram encontradas em vasos cerâmicos adornando a região cervical de alguns sepultamentos.

 

Finalizando, ressaltamos que além dos bivalves da Família Unionidae e dos gastrópodes pulmonados da Super Família Straphochielidae, conhecidos como mepaglobulimus, também coletamos três outros tipos de moluscos, que deverão ser enviados a especialistas em malacologia para posterior identificação, uma vez que a amostra é pouco representativa.

 

Cabe-nos ressaltar que, em algumas conchas de moluscos bivalves da família unionidae, detectamos pigmentos que juntamente com ossos serviram de artefatos  e adornos ou utensílios para guardar corantes.

 

b)     Animais vertebrados, que representam a grande massa de restos biológicos e apresentam uma certa variabilidade não muito acentuada em relação aos

c)     vestígios pesquisados.

 

Ressaltamos que a grande freqüência com que aparecem, ora nos terraços, ora nas cavernas, nos vem demonstrar que o habitante que ocupou esses rincões durante períodos permanentes e em algumas situações temporárias afastava-se das regiões ribeirinhas em busca de locais mais altos.

 

Todos os elementos anatômicos identificados e as diferentes ordens detectadas tiveram como base:

I – Morfologia externa dos elementos anatômicos, tais como: forma, tamanho, proporções, grau de dureza, cristas, sulos, fóveas, depressões, saliências, espinhas, fissuras, linhas, superfícies articulares, côndilos, trocanter, moléolos, arcabouços, orifícios, epífises, diáfises, trabeculações, forames, forcetas, processos, tuberosidade, tubérculo, zonas articulares, forças, canais, ranhuras, incisuras, côndilos, epicôndilos, chanfraduras, incisuras, colon, elementos anatômicos estes que nos auxiliaram a identificar essas peças.

II – Classificação zoológica – para tanto utilizamos dos conhecimentos de anatomia comparada, valendo-nos muitas vezes da literatura especializada, ou seja, de tratadistas e especialistas e descrições de outros sítios elaborados por pesquisadores nacionais e estrangeiros.

Ressaltamos que o material que não nos foi possível identificar permanecerá, juntamente com o material identificado, disponível para futuras análises ultra estrutural e novas técnicas de identificação.

III – Salientamos ainda que, entre o material zoológico encontrado, os peixes foram a  classe de mais fácil identificação, não só pela sua maior representatividade numérica como pela forma e conservação dos seus corpos vertebrais, facilmente identificados e que eram encontrados calcinados.

 

 

3.1.1        CLASSIFICAÇÃO DOS PEIXES

 

ORDEM: SILURIFORMES

FAMÍLIA: PIMELODIDAE

 

Visualizamos peixes de pequeno, médio e grande porte, motivo pelo qual fazemos a suposição que estes animais poderiam fazer parte da cadeia alimentar dos remanescentes de Xingó, que provavelmente eram pescadores. Esses peixes eram capturados nos rios, riachos e pequenas lagoas que, na época de maior precipitação pluviométrica e em tempos de cheias, inundam o vale do São Francisco em maior extensão, facilitando a técnica de captura destes animais no período de maior estiagem ou de seca.

 

Quanto aos peixes de grande porte, levantamos a hipótese que a captura se dava com relativa dificuldade, exigindo do homem primitivo uma atividade pesqueira mais elaborada, ou seja, pesca com lanças. Tendo em vista que peixes de grande porte são escassos em nossos sítios, isto nos fala do grau de dificuldades em capturá-los, uma vez que os mesmos têm preferência por águas mais profundas, exigindo do homem maior habilidade física para a natação.

 

 

3.1.2        ANFÍBIOS

 

ORDEM: ANURA

Identificamos alguns corpos vertebrais destes animais, provavelmente sapos ou rãs, não sendo possível precisar com segurança as espécies aí encontradas.

 

 

3.1.3 RÉPTEIS

 

Não nos foi possível identificar esta classe nos restos alimentares; entretanto, quando da preparação da coleção de referência de animais existentes, no momento do salvamento, conseguimos capturar répteis da classe ofídea, Família Calubridae, espécie Oxyrhopus trigeminus (falsa coral), bem como da ordem Lacertilia, Família Iguanidae, espécie Tapinurus semitaeniatus (lagartixa-do-lajedo).

 

Detectamos algumas vértebras cervicais, bem como ossos bastante resistentes, cuja morfologia caracteriza este grupo de animais. No entanto, foi pouca a representatividade dos mesmos e dofícil a sua captura pelo homem primitivo.

Durante a preparação da coleção de referência, conseguimos preparar pássaros das seguintes ordens: Passeriformes, Família Tangaridae, espécie Euphomia Chloratica (vivi), bem como Família Fringilidae, e a Ordem Columbieformes, Família Columbidae, espécie Leptotila verreaux (juriti).

 


 

3.1.3        AVES

 

Este grupo, juntamente com os peixes, foram os que apareceram com maior freqüência e foram mais facilmente identificados. A presença de pequenos mamíferos em grande quantidade, de mamíferos de médio porte em quantidade mais escassa e de raros vestígios de mamíferos de grande porte nos leva a supor que estes grupos humanos eram eminentemente caçadores.

 

Lembramos ainda que a fragmentação e a calcinação foram fatores que dificultaram a identificação de mamíferos de grande porte. A umidade proporcionada pela proximidade do rio contribuiu para a descalcificação e o aparecimento de fungos que povoam as superfícies desses fragmentos.

 

Identificamos entre os restos alimentares de mamíferos animais da Ordem Rodentia, da Ordem Edentata, da Ordem Primata, sendo que a primeira é a que apresenta maior quantidade de vestígios faunísticos, sendo identificada através das mandíbulas e dentes inteiros e fragmentados.

 

 

3.1.4        MAMÍFEROS

 

Este grupo, juntamente com os peixes, foram os que apareceram com maior freqüência e foram mais facilmente identificados. A presença de pequenos mamíferos em grande quantidade, de mamíferos de médio porte em quantidade mais escassa e de raros vestígios de mamíferos de grande porte nos leva a supor que estes grupos humanos eram eminentemente caçadores.

 

Lembramos ainda que a fragmentação e a calcinação foram fatores que dificultaram a identificação de mamíferos de grande porte. A umidade proporcionada pela proximidade do rio contribuiu para a descalcificação e o aparecimento de fungos que povoam as superfícies desses fragmentos.

 

Identificamos entre os restos alimentares de mamíferos animais da Ordem Rodentia, da Ordem Edentata, da Ordem Primata, sendo que a primeira é a que apresenta maior quantidade de vestígios faunísticos, sendo identificada através das mandíbulas e dentes inteiros e fragmentados.

 

 

3.2   QUANTIDADE DE MATERIAL

 

Destacamos que a quantidade de matéria orgânica impossível, nessa fase, de ser identificada é praticamente três vezes maior que o material identificável. Este material permanecerá à disposição de outros pesquisadores e se constituirá em parte do nosso acervo a ser trabalhado no futuro.

 

3.3  Natureza do Material Encontrado

 

Destacamos que visualizamos quatro tipos de material ósseo, que foram:

a)     material natural – trata-se de ossos e conchas em seu estado natural, conservando as características primitivas;

b)     material descalcificado – ossos e conchas que sofreram a desagregação de suas camadas protetoras, tornando-se altamente quebradiças e fragilizáveis;

c)     ossos e conchas calcificados – trata-se de material que foi recoberto por fogueiras e/ou permaneceu abaixo das mesmas;

d)     material queimado – ossos e conchas que foram assados sobre a fogueira ou colocados em vasilhames sobre o fogo.

 

3.4  Número de Família, Ordens, Classes e Espécies

 

Até o presente momento, apesar do grande número de peças identificadas descritas logo a seguir, uma grande parte está em poder da nossa colaboradora Cristiana Cerqueira Silva, que se encontra com as relações, anotações e descrições, tendo inclusive publicado alguns trabalhos preliminarmente, motivo pelo qual não nos foi possível completar as análises que vínhamos desenvolvendo conjuntamente, porque estamos aguardando este material.

 

Ressaltamos que, num trabalho taxonômico, para chegarmos até espécies é de suma importância o auxílio de especialistas neste ramo da Biologia, ou seja, Taxionomista, bem como a análise estratigráfica e sedimentológica, para podermos agrupar as peças identificadas por setores, por categorias e por exemplares, saindo daí uma coleção faunística representativa dos sítios arqueológicos identificados.


 

 

4.     CONCLUSÕES

 

De posse de toda esta riqueza arqueológica encontrada nos treze sítios escavados no vale do São Francisco sergipano, podemos afirmar que:

 

1.     o número de peças é superior a 22 mil peças;

2.     os sítios de maior importância, pelo elevado número de achados, são o Justino e o Curituba;

3.     o homem do São Francisco apresentava entre as suas atividades: a caça, a pesca, a catação de mariscos e ceramista;

4.     entre os hábitos alimentares, sabemos que entre os mesmos predominava o uso do peixe, provavelmente cozido, e o uso de mamíferos nas mesmas condições.  Quanto ao uso de outras espécies, não nos foi possível identificar com precisão;

5.     o uso do fogo era uma práxis constante pelo número de fogueiras encontradas;

6.     era comum a técnica de sepultamento com enterramento com vasos cerâmicos onde encontramos: colares e artefatos de ossos como adornos;

o uso de corantes por estes nossos remanescentes nos é testemunhado nas pinturas rupestres e resíduos deixados em conchas.

 

 

5.     RECOMENDAÇÕES

 

Tendo em vista a problemática durante a execução desse projeto, afetando a todos os membros integrantes, desde a Coordenação até o operário mais simples, sugerimos:

a)     que em cada etapa realizada o pesquisador responsável apresente aos demais componentes da equipe seus resultados preliminares, parciais ou mesmo totais;

b)     que em cada publicação originária do montante da pesquisa realizada passe a integrar o acervo do futuro Museu do Homem de Sergipe, servindo de testemunho da dedicação, competência e boa vontade dos pesquisadores que se integraram ao projeto;

c)     que as anotações de campo, mapas, croquis e documentos sejam incorporados e microfilmados, para garantir o livre acesso a pesquisadores nacionais e internacionais;

d)     que a coleção zoológica que foi preparada durante a pesquisa receba cuidados de climatização de conservação e de segurança, indispensáveis a um patrimônio tão valioso para o povo de Sergipe, do Brasil e do mundo, ou seja, uma reserva técnica condigna;

e)     que parte do material coletado seja exposto em eventos intinerantes, tanto na região originária como em escolas e universidades, divulgando todo este acervo;

f)      que haja maior integração entre os pesquisadores, facilitando a compreensão de um habitat tão valioso e importante para explicar as etnias do Homem Sergipano.

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ANEXOS

 

 


DESCRIÇÕES DAS PEÇAS NO MOMENTO DA IDENTIFICAÇÃO (EXEMPLOS)

 

Nº 25199

Justino: FL 51/55 1F20

Fragmento de osso longo

 

Nº 9113

Justino: ME 16/10 1F2

Fragmento ósseo não identificado

 

Nº 13375

Justino: FL 46/56 1F2

Fragmento de ossos calcinados não identificados.

 

Nº 5990

Justino

Fragmento de ossos e ossos longos não identificados

 

Nº 7290

Justino: AA 21/15 1F2

2 fragmentos de costela, fragmentos ósseos não identificados

 

Nº 13581

Justino: FL 46/50 1F2

Terço distal de um fêmur, terço distal de uma fíbula, zona articular, fragmentos ósseos calcinados não identificados

 

Nº 13339

Justino: FL 46/50 1F2

Fragmentos ósseos não identificáveis

 

Nº 4916

Justino: P 18 FL

Fragmento de rádio, fragmento de huna dernais, ossos não identificáveis

 

Nº 11871

Justino: AE 36/40 1F8

Fragmento de osso longo calcinado

 

Nº 20752

Justino: AE 31/35 1F20

Terço superior de úmero

 

Nº 13529

Justino: FL 46/50 1F2

2 vértebras de peixe

 

Nº 14124

Justino: VFL 46/50 1F2

Fragmentos não identificáceis calcinado e não calcinado

 

Nº 13638

Justino: FL 46/50 1F2

Fragmento ósseo não identificado

 

Nº 5122

Justino: P 52 1F2

Saco sem material, fragmentos pequenos

 

Nº 12864

Justino: AE 41/45 1F2

Fragmento de cabeça de úmero, pequenos fragmentos não identificáveis

 

Nº 15123

Justino: AE 51/55 – Nível 1F9

4 fragmentos calcinados e um fragmento de osso longo calcinado

 

Nº 16467

Justino: AE 51/55 – Nível 1F14

1 vértebra de peixe grande, 2 dedos, 1 dente de roedor e vários fragmentos de ossos não identificáveis.

 

Nº 14878

Justino: AE 51/55 – Nível 1F7

1 cóclea, 1 cabeça de fêmur de pequeno animal, 1 vértebra caudal, 1 fragmento de concha, diversos ossos calcinados, um pouco de sedimento

 

Nº 14902

Justino: AE 51/55 – Nível 1F7

Vértebra de peixe médio em 3 fragmentos, 1 costela de pequeno animal, 1 arco zingomático, 1 fragmento de costela, 1 pedaço de cerâmica, ossos fragmentados não identificáveis

 

Nº 15199

Justino: AE 51/55 – Nível 1F12

1 úmero de pequeno mamífero

 

Nº 29038

São José 2 – Setor A7 – Nível F

Fragmentos de osso não identificáveis

 

Nº 25640

São José 1 – Setor AD14 – Nível F3

Fragmento de úmero de animal de grande porte descalcificado, seguido de vários fragmentos pequenos e vários fragmentos de pequenos ossos descalcificados.

 

Nº 22357

São José 2 – Setor F2 TRIN Vertical – Nível 1F7

Terço médio de osso longo de ave e pequenos fragmentos não identificáveis

 

Nº 29084

São José 2 – Setor E6 – Nível F07

Sedimentos com fragmento de ossos pulverizados

 

Nº 25625

São José 1 – Setor L13 TRIN Horizontal – Nível F3

Fragmento de osso longo e um fragmento de fibrila de mamífero de grande porte, um fragmento de costela, um fragmento de tíbia descalcificada, fragmentos de ossos grandes não identificáveis, fragmentos de ossos grandes não identificáveis e um fragmento calcinado de osso grande.

 

Nº 25636

São José 1 – Setor T13 – Nível F3

Diversos fragmentos, sendo alguns de diploe descalcificado e inúmeros fragmentos

 

Nº 29051

São José 2 – Setor M7 – Nível F2

Carapaça de tatu calcinada

 

Nº 25603

São José 1 – Setor R2 – Nível F2

Fragmentos ósseos não identificados

 

Nº 25571

São José 1 – Setor P14 – Nível F2

Fragmentos de ossos descalcificados de animal de grande porte.

 

Nº 25632

São José 1 – Setor U13 – Nível F3

1 falange de mamífero de grande porte, vários fragmentos de ossos longos

 

Nº 22798

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Fragmentos de ossos calcinados

 

Nº 22795

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Concha de molusco

 

Nº 12753

Vitória Régia – Setor G2 – Nível 1F1

Líticos

 

Nº 22818

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Horizontal – Nível F4

Fragmentos de ossos calcinados

 

Nº 23001

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Dedo de grande mamífero, região articular tróclea de grande mamífero, 1 fragmento não identificável.


 

Nº 23035

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Fragmento de osso longo

 

Nº 22497

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Horizontal – Nível F2

Fragmento de tatu

 

Nº 22664

Vitória Régia 2 – Setor R6 Trin. Vertical – Nível F4

Terço distal de uma fíbula, terço distal de uma tíbia, cabeça de um úmero, terço distal de um úmero, fragmentos de costelas, fragmentos não identificáveis calcinados.

 

Nº 22535

Vitória Régia 2 – Setor F5 Trin. Vertical – Nível F3

1 tíbia, 3 úmeros de pequenos animais mamíferos, fragmentos não identificáveis

 

Nº 22796

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Segmento de osso longo descalcificado com vários fragmentos, 1 fragmento de osso longo calcinado, 2 fragmentos de ossos longos calcinados, 2 fragmentos de ossos laminar calcinados e uma zona articular calcinada de animal de grande porte.

 

Nº 23002

Vitória Régia 1 – Setor Trin. Vertical – Nível F2

Diversos fragmentos de ossos descalcificados, fragmentos de ossos calcificados, fragmentos de costela calcinada de animal de médio porte, diversos fragmentos de ossos longos descalcificados, articulação umeral calcinada de animal de grande porte, fragmento de fíbula calcinado, diversos fragmentos de dentes de animais de grande porte em processo de descalcificação.

 

Nº 22964

Vitória Régia – Setor AJ3 Trin. Horizontal – Nível F7

2 fragmentos de mandíbula.


 

PESSOAL TÉCNICO ATUAL DO PAX

 

 

ARQUEÓLOGOS

-              Maria Cleonice de Souza Vergne

-              Suely Cristina Albuquerque de Luna

-              Ana Lúcia do Nascimento Oliveira

-              Ana Cristina do Nascimento

-              Suely Gleide Amâncio da Silva

-              Henrique Alexandre Pozzi

-              Cristiane Cerqueira do Nascimento (Assessoria)

 

CONSULTORES

-              Niéde Guidon

-              Gabriela d’Ávila Martin

-              Ane Marie Pessis

-              André Prous

-              Arnaldo Vasconcelos Palmeira

-              Francisco José Alves dos Santos

-              Aziz N. Ab’Sáber

-              José Luís de Morais

-              Tânia Andrade Lima

-              Emílio Fogaça

-              José Maria Domingues Landin

-              Arno Brichta

 

ESTAGIÁRIOS

-              José Marcelo Domingos de Oliveira

-              Ailton Feitosa Martins

-              Pedro Abelardo de Santana

-              Onésimo Gerônimo dos Santos

 

ECONOMISTA

-              Maria Luzia Meneses Vieira